sábado, 5 de setembro de 2009

ETERNO VÔO

Fez-se um ninho
Escondido no telhado
Sobre meu quarto
Um casal de maritacas 
Passei a observar
Acordavam-me cedo cantando
Ela saía depressa voando em busca do alimento
Ele, exibido, se pendurava no fio
Exercitava-se, em alongamentos atléticos
Só depois, o malabarista voava
Como é vaidoso o macho da maritaca!
Esperei um dia
Com a máquina de fotografia ao meu lado
Enquanto escrevia
Pensava: que horas voltam ao ninho, o casal de maritacas?
Ao entardecer,
Quando escrevia
Sobre o misterioso e eterno vôo do amor,
Será que as maritacas sentem, assim, o amor?
Ou, somente, cuidam do ninho reprodutor.
No instante em que pensei por não poder sentir
Logo escutei o canto das maritacas
Peguei a máquina, rodei a cadeira
E ali, bem diante de mim, em frente à janela
O casal de maritacas parecia me chamar
Diziam cantando
Sem falas me respondiam,
Cada um em uma direção olhava enquanto me revelavam
Bem juntos pousados ali sobre o fio
Com a graça daquele cantar me tocavam antes de voltarem ao ninho
Eu olhava, contemplava
Da forma mais simples eles desenhavam com seus corpos
Um coração
O casal de maritacas mostrava
Como vivia do símbolo ao eterno
O vôo de amor.
                                                                       MySal

Nenhum comentário:

Postar um comentário