sábado, 17 de outubro de 2009

METAMORFOSE

Depois de queimar de vergonha e tristeza
Subir rastejando e apoiando-se
No parapeito da janela debruçada
Lembrar a sensação e frescor da liberdade
Serenidade de um despertar
De quem mereceu alegrar-se por amar e criar
Da janela agora vê apenas o céu cinza
Parecendo carecer de luz
Perdida no indissolúvel
Onde a visão do caminho jaz, envolta em brumas
O corpo soluto e frio
Perde-se do sentido
Do Tempo
Que se foi sem dizer o porquê, para onde ou até...
E da vã e mundana ansiedade
Soçobra do amar o vazio
A saudade
Do corpo aquecido em descanso pelo trabalho reconhecido
E na lembrança das luas cheias
Das noites que agitam corações humanos sensíveis


Lembrai
Somos todos personagens
De Dante, entre o céu, o inferno e o paraíso
Mas aqui e Agora ainda restará
Transformar
Experimentar mais se poderá mudar de si em si
Dirá o silêncio
À tua alma livre de culpa ou dó, em si
Há de restar um caminho com amor puro e simples
Por onde se dissipa a mágoa, a triste sorte
Onde se diz não ao desprezo, a incompreensão e desconfiança
E só se fala em sons graves em gritos de esperança


Amarra com um estreito laço unindo seus peitos
Para que deles não te salte o coração
Da melhor experiência
De amar
Brotará a memória que inspira
A transformar, renascer e caminhar
Sem nem mesmo escutar teus passos
Seguirás, plantando
Afinal, diria Shakespeare
“As palavras sopram um hálito gelado sobre o calor das ações”
Melhor ouvir o toque dos sinos dos ventos que sopram orações
E do árido chão verás brotar
O misterioso vôo
Afinal a Primavera sempre retornará
À flor a quem plantou
A metamorfose
                        MySal

Um comentário:

  1. Uma declaração de amor a tudo e a todos.
    Uma bela vista do que podemos fazer.
    Um caminho de respostas aos sentimentos conturbados que vivemos.
    Um grito de salvação para Terra e para nós que nela habitamos.

    Que sensibilidade brota de sua alma que me encanta e alegra!
    Agradecida.

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