segunda-feira, 16 de novembro de 2009

No Mais que Perfeito

“Em descuidado vagar
As forças de tanto amar
Costumam a alma do eixo tirar”
Diria Don Quixote

Nada a fazer,
Quando a ilusão da perfeição
Encerra a forma de amar?
Basta que te ponhas a vagar de volta,
Em busca de ti mesmo
Como um velho mestre a te indagar
Desafiando-te o futuro onde está o inacabado

Seguindo saberás
Como curar tua embriaguez quixotesca
Do poder, do querer, da satisfação, do saber, do criar
Mas cria pelo menos só, o alívio
Se não encontrares em ti mesmo o remédio
- Deamarempaz -

Consola-te ao ouvir
O assoviar dos bichos, ao cair da noite quente do verão
Faz deste, o anunciar de Sophia
A indagar teu coração
Da tua humilde imperfeição
Sentirás soprar sabedoria

Talvez precise criar também uma oração
A pedir ao sono que em sonho
Mostre o esconderijo de todas as imagens criadas
Do traço resgatado relembrarás, somente
A linha do olhar
Dos olhos que foram línguas
A falar de encontro, e assim
Redesenharás o caminho ao inalcançado

Escuta o tremor das trovoadas
Anunciando a tempestade.
Deixe-a passar!
Em ti o que vem também irá
Afinal nem é mesmo a água corrente
Mais limpa do que a água nascente.
Aproveite e sinta tudo como fazem os olhos
Ao brotar água do lamento limpando toda dor,
Daquilo que viram mesmo sem querer enxergar.

Demores um pouco mais a lembrar
Sem adormecer ainda,
Pois mais rápido chegarás
Ao frescor do amanhecer.
Para quem hoje caiu de amar,
Amanhã será livre para levantar e seguir.

Não mais serás culpado da culpa
Da imperfeição,
Pois a sós com ela
Terás seguido a ti mesmo
E ainda assim, fora do eixo estarás livre,
Mais que perfeito
Para crescer.
Aprenderás criarás e amarás, quem sabe
Outra vez

MySal

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