A casa – um espaço no tempo
De dentro pra fora, de fora pra dentro
Abrindo as janelas, sorri
Mira e colhe aquilo se plantou
Além, no morro, a contemplação
Agradece ao vento, que junto semeou
Tons azuis hortênsia, lilases paixão, saudade transformação
Branca flor em paz no manto verde
Onde amarelos giram ao sol
Presente de maritacas ao chão
A vida, você, eu e outros na casa
Vão escrevendo
Só o que vale, contar
A casa - corpo
De ser potência e preguiça
Um eremita descobre-se incrédulo
Com graça ou dor em preciso viver
E sonha pelos cantos
Da casa
Ecoando alegria, no amanhecer despertar
No encontro que orvalha todo prazer
E no anoitecer, bailam as lembranças
Sonhos, desejos, gratidão e uma oração
Mas chora lamentos pra fazer dormir desencanto
No corpo-casa
Há fruto e desfruto também
Da troca e da solidão
Mas há liberdade
Saudade e silêncio esfriando o sol do verão
Enquanto o novo aquece a chuva dançando
Ouve um assoviar, surpresa
Música que transforma tudo em poema na luz do luar
E quanta companhia há na lembrança
Morando aqui e lá, muito além da esperança
Fluir de vagar, de ir, de ficar, ou de poder voltar
A casa – corpo
Abrigo
Eterna construção buscando
Entre o frio e o quente
O ponto de transmutação
Ensaia a alma
Na faxina, da ordem da obra
Tudo que pode ou não integrar
Dizem os símbolos de força a guiar
Espalhados pela casa vão apontando caminhos
Para quem sabe olhar
O Corpo - casa
Roupagem ou personagem, também é só passagem
Ficará seu cheiro roubado
Do mato e de sândalo, da terra e espiritualidade
Pimenta e canela na mesma panela
Ainda lembrará seu sabor
Sabor da chegada e da despedida
Adoçando e acolhendo a vida singela
Ah! Velha casa, trabalho, memória
Contarás a melhor história
Da minha experiência vivida
MySal
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