"Certamente, a não ser pelo uso dos ocidentais, nunca se viu a arte africana exposta em vitrines ou galerias. Na África sua função e sentido, são a princípio, puramente simbólicos".
Resta a contradição: grande parte da arte africana, que tanto nos mobiliza o olhar pelo impacto estético, era feita, antes de ser tirada de seu contexto, para não ser vista, a menos que houvesse uma ocasião precisa para isso.
Enquanto os europeus queriam dominar as coisas indiscriminadamente, os africanos davam importância simbólica a elas, pois tinham consciência de que elas faziam parte de um ecossistema necessário à sua própria sobrevivência. As preces e orações feitas a uma árvore, antes de ser derrubada, era uma atitude simbólica de respeito à existência daquela árvore, e não a manifestação de uma crença de que ela tinha um espírito como dos humanos. Ainda que se diga de um "espírito da árvore", trata-se de uma força da Natureza, própria dos vegetais, e mais especificamente das árvores. Assim, os humanos e os animais, os vegetais e os minerais enquadravam-se dentro de uma hierarquia de forças, necessária à Vida, passíveis de serem manipuladas apenas pelo Homem. Isso, aliás, contrasta com a idéia de que os povos africanos mantinham-se sujeitos às forças naturais, e, portanto, sem cultura.
A arte africana tem um sentido e força simbólica, de conexão ancestral necessária para harmonização de alguém ou algum espaço social.
(texto/ pesquisa e palestra) MySal
Nenhum comentário:
Postar um comentário