terça-feira, 11 de maio de 2010

ESTAÇÕES

Primavera
Assim era eu;
Ainda querendo viver àquela história,
Quando amei, quanto amei...
Um amor desvalido,
De intensos desejos na noite
Em sonhos paridos.
Ao amanhecer,
Parecia tê-los vivido,
Florindo.
Talvez fosse descabido um amor àquela hora.

Verão
Sabia que seria uma história mais ou menos assim:
Ao amor, todo calor preciso.
Sem nada a temer diante da luz.
A alegria
O grande sol e o calor
Acolhendo
A surpresa de amar pleno.
Embora sabendo
Não há fim que seja mesmo virtuoso!
Virá a chuva,
Então, que venha
Que limpe essa história, seja ela corajosa
E ao passar,
Perdoa-se a felicidade
E perdoa-se, também, a tristeza.

Outono
O céu lilás; eu, sob um tom de saudade
Sinto ainda brilhar o sol, diferente.
No caminho, na estrada envolvida
Há neblina, como eram as dúvidas
A me acompanhar desde o começo.
Vão indo embora agora,
Se desmanchando nesta hora.
Desejarei sempre mais desse frescor de orvalho!
Ao amanhecer,
Sentindo o sol clareando, aquecendo, devagar
A neblina
Penetra colorindo.
À história
Do sonho de amar
Vejo, enfim, clareando
Um tanto desfeita, levada, lavada como a neblina.
Transformada em forma
Revela-se nova
Em cores fortes, brilhantes
Desconhecida.

Inverno
Ainda sob a neblina,
Desperta
Uma sensação:
Rosto frio, escondido nas mãos
Até que possa aquecer-me,
E revelar mais de mim a mim mesma.
O sol, tímido, penetrando a neblina
Devagar, desfazendo o gesto frio
Ainda um pouco trêmula,
Tirando as mãos do rosto,
Ensaio o movimento inevitável:
Abraçar
Tocar
Escrever a história.
Desvendar sob a luz da lareira
O sentido de amar
Como o amor de um sonho
MySal

3 comentários:

  1. o sentimento não modifica, mas as estações do ano nos transformam...

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