sábado, 27 de outubro de 2012

FALANDO DO AMOR ... Parte 3



Amando livre 

Da ilusão, recrio um sonho

Que tudo encerra e a tudo inicia

Da entrega que enfim se integra

Na geometria eterna das coisas

Que vibram e movimentam o possível

Do olhar, aos sentidos...

Então, parte de mim vive a música

Ecoando na infinitude

Tecendo luzes em formas que se curvam

E se religam ao novo
Dobram-se em paz

Ao arco-íris

                              MySal

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

FALANDO DE AMOR ...Parte 2

Em cíclicos ritmos
Desponta a forma do amor
Tons e movimento
Em ligações surpreendentes
Rompe-se o ciclo em possibilidades
Traços infinitos até
Onde jaz a solidão
Instante, nota, única, solo
Encontro 
Parte sensível

Ponto, a que tudo retorna

                                                 MySal

                                      MySal          

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

FALANDO DE AMOR ...Parte 1









A linguagem se faz poesia

Transcende o literal, há melodia
E em harmonia se unem

Corpos, espaços, sons e silêncios
Por onde o fluxo invisível

Torna-se visível

                               MySal

segunda-feira, 25 de junho de 2012

CONTEMPLAÇÃO


O dom de contemplar 

Dois mundos


De fora pra dentro 

Estabelece diferenças 

Separa tudo

- o claro do escuro- 

-o quente e o frio - 

- o dia da noite - 


O dom de contemplar
 
Dois mundos


De dentro pra fora

Une toda a natureza

Em alquimia 

Na arte

Na alma

                             MySal

domingo, 24 de junho de 2012

ALMA NOITE DE SÃO JOÃO


Abro as janelas de mim mesma

Olho bem longe, longe da casa e tão perto, será de mim
Esta lembrança, sou 
Eu quem encontro nesta noite tão minha, alma
Da cor da noite, azul profundo
Luzes girando ao redor de uma varinha de onde saltam pequeninas estrelas
Parecem sair das minhas mãos, que não vejo, 
Vejo o céu da noite de São João
Quando as estrelas desenham caminhos, tantos caminhos 
Iluminando a escuridão, e no desconhecido vão insinuando direções 
Refletidas nas bandeirinhas, elas as estrelas coloridas estão penduradas
Em fios que sei; tecem a longa trama dos meus pensamentos
E de um canto a outro, marcam um encontro, um sentimento que dança, na roda
Onde levemente, se tocam as mãos
No ritmo sanfonado soam em torno da luz, marcadas lembranças 
Lembranças que me tocam e, depois, soltam-se de mim 
Entram na dança e se transformam em mudanças
Enquanto o fogo, também dança
Contemplo o fogo em silêncio, hoje há luz
Canto uma oração, com todo amor salta do meu coração
Vejo que ela sobe e se espalha na fumaça branca sobe até o céu escuro azul
E fica um gosto meu, e brinca de ser quentão, imitando o fogo
Capto aromas de madeira e doces de milho aipim canela e amendoim,
E outros gostos, são aqueles apimentados de mim
Vou descobrindo mais e mais nesse encontro de alma
Uma ousadia criança, que acende lanternas e, enfeita o próximo balão a subir
Sem medo ou censura, o balão levará desejos, pra bem longe, até, enfim
Atrevida miro-me, ensaio um alvo, e me atiro 
Rio do que ouço 
Um som de latas derrubadas
Estou brincando esta noite, brinco comigo
Não sinto o frio, sigo
Pescando sonhos, por mim
Alma noite de São João


                                                      MySal

sexta-feira, 1 de junho de 2012

ECOPSICOLOGIA


    

Uma Nova Perspectiva que Amplia a Consciência

É urgente ressuscitar a lembrança de “povos vencidos” para fazer ressurgir a maneira mais poética das nossas ações e caminhos das civilizações.


Esta maneira, mais poética é a maneira feminina, onde nosso lado direito do cérebro nos faz agir mais sensível e intuitivamente. É resgatar raízes e, a partir delas reaprender a crescer, amadurecer e envelhecer, como frutos maduros, adocicados por saberem ter contribuído com a missão maior de; ser e estar no tempo até desprender do pé. Nós, humanamente, na terra participando não só do próprio bem estar, mas também dos direitos humanos que são similares às necessidades e direitos da terra em que vivemos.

A nova psicologia, parte hoje de uma corrente em que comungo, é uma psicologia transdisciplinar que, sem negar outras teorias e ciências reconhece no indivíduo um ego ecológico; centrado em uma raiz ancestral, mítica ou arquetípica profunda e natural, capaz de se comprometer e, viver com o propósito de senso de coletividade, solidariedade e conquista de um desenvolvimento sustentável que valoriza a troca individual, social e ambiental. Finalmente fortalecido por essas trocas ou partilhas é possível reconhecer o sentido da vida na sua relação essencial com o bem estar; saúde psíquica e física e harmonia com a natureza.

Não se trata de uma inversão de perspectiva, nem mesmo de uma hipertrofia do masculino e sim, de uma nova atitude, ainda masculina, porém em nova forma, capaz de provocar movimento, compromisso para um desenvolvimento, onde os valores atuais possam ser repensados por uma consciência ampliada, pelo resgate de uma dimensão feminina natural e ecológica, com a qual é possível, olhar, observar e resgatar riquezas perdidas.

É necessário reaprender ao olhar para traz, e escutar da natureza os seus princípios. Com esse olhar se é capaz de reavaliar a arrogância branca e ocidental, como também reconhecer nas raízes perdidas um inconsciente escuro negado em potenciais primitivos, igualmente desvalorizados perdidos, em nome da conquista, razão e preconceitos. Neste sentido, uma dimensão ecológica, simbólica e espiritual de ser perdeu-se e hoje nos priva apesar de todo conhecimento, de mais harmonia nas relações, saúde aos nossos corpos, mais amor nas relações e sabedoria em nossas ações. Nada em nosso desenvolvimento ainda humanizou o que há de desumano em nós.

Qual o preço espiritual que se paga?

Seguimos priorizando nossas conquistas materiais; negando as mais profundas vocações na missão de existir; vivendo com medo de amar; sem tempo para contemplarmos e compreendermos os sinais da natureza, participar de sua ação transformadora e reconstrutiva. Desta forma, perdidos do próprio sentido da vida não atuamos na abertura de novas idéias, não seremos criativos para uma nova concepção social.

Em nome dessa dimensão ecológica do indivíduo, um dia pensaremos os direitos humanos igual aos direitos do planeta. É preciso contribuir com uma perspectiva de reconstrução de valores essenciais para o bem estar pessoal, o bem estar planetário.
MySal

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Da Existência a Essência

   Renasce hoje, diante da morte de um mestre filósofo, a vontade de falar sobre a responsabilidade e importância das palavras ditas ou escritas no tempo, traduzindo os  sentimentos e as ações refletidas, naquelas atitudes verdadeiras de entrega e amor, que ensinam a ser, melhor.

   Reli mil depoimentos de alunos, amigos na página do querido mestre que hoje partiu desta existência. Logo antes, da primeira declaração de carinho e despedida uma aluna ali escrevia sobre a aula de Platão que perdera...

   Parei neste ponto pensando; por fim ele estava ensinando Platão. Quantas vezes terá o mestre levado seus alunos a viajar com Platão entre dois mundos... Então, fiquei relembrando o projeto com ele partilhado; “o tempo filosófico” onde eu acrescentava minhas sugestões gastronômicas e insistia em levar a filosofia pra cozinha até que, ele rindo um dia me disse: Mas, tem que ter galinha? Eu também ri e, respondi: Sem a morte de que vale a vã filosofia?..

   Tentando significar tudo isso; relembrei “O Banquete de Platão” e me vi no grupo em torno de uma grande mesa onde todos filosofavam, sobre o amor, a vida. Entendi que, a página do facebook do mestre era naquele momento, ou teria sido desde sempre, a grande mesa do Banquete, onde cada palavra foi cuidadosamente dosada como o vinho e, entregue com a responsabilidade e humildade de um verdadeiro mestre, entregue ao seu diálogo eterno.  Apenas agora, estava marcada sua linha do tempo com aquele derrame de amor traduzido por reconhecimento e gratidão ao filósofo.

Nesse momento, minha intuição imaginou dar mais um paço para traz na linha do tempo desse querido mestre e compartilhar ainda um pouco mais, ler, e reli seu último post:

“- Produção de afetos e daí, os mundos.

O quanto de mundos prévios a fornecer condições de uma possibilidade para o que chamamos reconhecimento. Isso me deixa perplexo”. Ass. CW (Carlos Wilson)

 Não há acaso, entre a existência e a essência, se houve amor, há reconhecimento...
                                                                                                                                     MySal


sexta-feira, 30 de março de 2012

NEBLINA


Sobre a neblina

Eu e o silêncio

Sereno de outono frio

E o cheiro da lenha

Entorno da casa

No alto, o morro

Envolto em névoa

Marcado o limite

Entre o céu e a terra

Ainda vejo

Como sobre imensos candelabros

Flutuar a tênue luz, verde

Das imponentes araucárias
 
                                           MySal

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

“Tá Chegando a Hora…"


    Ai, ai, ai, ai!  Dias animados de dançar com uma força creoula que ascende do quadril e tudo move. Salta de algum lugar uma energia como se represada, muito maior do que em qualquer outro dia, neste tempo explode a alegria.
   Em outro tempo os jovens brincavam em clubes, eu tinha um grupo animado, um namorado, um bem achado em outro carnaval e, lá estávamos eu e aquele ”meu pedaço” num camarote, muitos amigos com direito a um músico de bateria marcando um bumbo, aquele era o ritmo do meu coração, o ritmo da emoção. No último dia cantavam: “ai, ai, ai, ai, tá chegando a hora...” Meu Deus, eu acreditava talvez que a alegria iria embora enfim, eu sempre chorava nessa hora.
   Tudo girava em minha cabeça como música em torno da fantasia; eu criava e me sentia havaiana, índia, colombina, sem falar do bloco do pijama que saia antes da escola de samba. Lá ia eu; cocar escandaloso de índia, de pintora, lá ia eu, na avenida de shortinho bustiê, boina e bota carregando feliz um escândalo de cores no esplendor de aquarela. Lembro-me neste desfile de escola de samba estar sendo filmada e eis que, de repente, saiu de trás da câmera um ser que gritou: Minha Terapeuta!  Eu, sorrindo continuei dançando em nome da arte que cria todas as ilusões, afinal eu ali era a pintora, a artista. Valeu a pena!
   O carnaval é um tempo para viver a arte coletivamente, um encontro onde tudo pode ser criado, à partir da fantasia vivida na música, dança, cores e formas como um grito de possibilidades em expressão.
   Com o tempo, a alegria não acaba, nem a arte, e sim, expande-se a criação na mesma proporção que se amplia a consciência. Aquela explosão de energia que vivi em nome da folia, hoje se arrisca em novas formas e experiências. Afinal, o tempo vai afirmando; se o grito coletivo é força da arte que cria e não da fantasia, o pulo mais alto se dá quando a arte rebola com alegria em direção à verdadeira essência que tudo cria; o amor na realidade. A fantasia pode durar, só por três dias.
    Falando em amor; houve entre outros carnavais um memorável: Voltou de mansinho, depois de muito tempo, o meu primeiro amor, veio vindo, gostando de estar, ia ficando sempre mais um pouquinho, enquanto eu recriava o encanto de amar. Um encontro cheio de histórias vividas ou não, eram compartilhadas com muita sintonia, afinidades; a mesma paixão pela natureza e um bom gosto pela arte na boa mesa, na poesia filmes e música. Faltava o grande teste, para eternizar um grande amor, a alegria. Chegou o carnaval, pra mim foi o que os franceses chamam “goût”, em português o gosto, ou um pouco mais, aquele gosto que inspira os sentidos.  É assim, pra gente como eu, que ama e gosta de carnaval, sempre revive o som do bumbo no coração e sempre chora quando “... tá chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem...”.  Enfim, quem veste à fantasia tem que passar e ir embora!
     O carnaval também passa, fica o momento de poesia, ou será de fantasia? Não importa a resposta, vale o que se transforma ou se recria. É carnaval, deixo-me lavar com água de cheiro, andam recriando o amor, cantando pela proteção à natureza, dançando na tenda dos milagres que inspira a luz, enquanto eu vou deixando de saudade e também essa conversa.
     “Tá chegando a hora” afinal com sensibilidade, agente abraça a folia e dança a felicidade, à arte de renascer temperado no axé e dendê.
                                                         MySal

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Tua Mão

A tua mão...
Sensível gesto
Precede a razão
Intuí uma só direção...
Da árvore, do sol, dos pássaros 
Embrulhei-me em sons
Quisera me proteger
Em vão


Não escaparia
Do amor em mim...

                                         MySal

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um dia...



Um dia desses me sinto assim:


Friozinho de mês sem erre é outono de céu azul carbono, profundo; dias de sol pleno e noites frias, claras de estrelas penduradas. Nascem flores vermelhas no meu jardim.


Um dia desses, nasce à paixão em mim.


E enquanto esfria lá fora, um fogo, que deve ser por João - o santo claro - acende a fogueira que anda dançando dentro de muita gente, e vou conversando tanta bobeira que quase esqueço a saga dos bombeiros; melhor agora que eles se esqueçam de mim.


Crio novos sabores, temperos do tempo que nunca passou, e fica um sabor de histórias, de gente que amou muito, num dia assim.


Acendi um fogo na lareira e deixei a fogueira no corpo, por dentro, atiçando os sentidos. Veio o cheiro da canela, fiz tal mistura na panela que adoçou seu beijo pra mim.


Bem, de poeta e bobo, todo mundo tem um pouco, e isso é bom de lembrar; afinal, desgraça pouca é bobagem. Antes assim...


A vida é simples:


Apurar o nariz, aguçar o ouvido, afinar a ponta dos dedos pra quando a madrugada chegar, ainda exercitar o ser feliz.


Com os olhos de coruja vou lá fora toda enrolada no cobertor e de toca na cabeça; A lua cheia brilhante e nua sai do seu esconderijo.


Sorrio...


Ela também está rindo de mim.


                                                                  MySal

sexta-feira, 1 de abril de 2011

SONHO REALIZADO

Enquanto você dormia
Uma fresta de luz entrava no quarto sobre a cama
Iluminava de leve teu rosto
Enchia de prata o teu cabelo
E o teu semblante suave
Contava-me sonhos
Pareciam ser seus aqueles sonhos
Pairavam sob a luz e se espalhavam na cama
A  felicidade em espantos sinceros,  eu emocionada

Contemplava

Formas inusitadas, cores e possibilidades
Na contemplação alcança-se algo além do plano das imagens, das idéias
Enquanto eu ali vivia silenciosa, livre e plenamente
Eu amava, sem perceber

-O amor ultrapassa as idéias de um, não as do outro-
Ah! o amor, não ultrapassa jamais o plano do desejo
Assim, amando, silenciosamente,
Nem percebia o que não acreditava saber
O sonho que via; era só meu, livre e plenamente meu.
                                                                                         MySal

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ROUBO DE IDENTIDADE



Caros Amigos

Esse é um comunicado aos que seguem esse blog, e a outros que não estão aqui presentes como seguidores, mas me incentivam e comentam esses ensaios e reflexões poéticas, por outras correspondências:

NÃO ESCREVO OU PUBLICO EM NENHUM OUTRO MEIO ALÉM DO BLOG E FACEBOOK. 

QUANDO ENCAMINHO ALGUM TEXTO RECEBIDO POR EMAIL, COSTUMO ENDEREÇAR SOMENTE À QUEM TENHO CERTEZA DO INTERESSE NO TEMA E, AINDA ASSIM, COMENTO, OU SEJA, COLOCO MINHA OPINIÃO PESSOAL EM DISCUSSÃO.

MEU NOME E LINK DESTE BLOG, FORAM ABUSIVAMENTE, ROUBADOS E TEXTO DE CUNHO CRIMINALISTA, FOI PUBLICADO SOB FALSA IDENTIDADE. EM MEU NOME.

REGISTREI ESTA DENÚNCIA AO GOOGLE COMO ROUBO DE IDENTIDADE. ESTOU AGUARDANDO PROVIDÊNCIAS, ENQUANTO PESSOALMENTE, CONSIDERO UMA ACÃO JUDICIAL.

HAVIAM SEGUIDORES AQUI OS QUAIS NÃO CONHECIA PESSOALMENTE.
A PARTIR DESTE MOMENTO, LAMENTO MAS, PREFIRO QUE ESTA PÁGINA SEJA RESTRITA A AMIGOS E AMIGOS DE AMIGOS, AMANTES DE UMA REFLEXÃO POÉTICA E QUE ME CONHEÇAM O SUFICIENTE PARA NÃO TOMAR COMO MINHAS PALAVRAS, DENÚNCIAS SEM COMPROVAÇÃO, ESPECULAÇÕES, ACUSAÇÕES OU DEBOCHES; TRAÇO DE COVARDIA, ASPECTO QUE NÃO ME DEFINE.                                                                                                                                    MySaL

sábado, 5 de fevereiro de 2011

COR DO BARRO

Da cor do Barro
A inspiração nascia
Moldava formas, aquelas
Que as palavras não diziam
De amar, de querer, de rezar...

Da cor do barro
Ao movimento
E do pó que flutuava
Respirava a emoção
Essência de um sentimento que brotava

Da cor do barro
Soçobrava pelo ar, pelo chão
A essência que, na matéria não cabia
E ao pó que varria, somava a água
Guardava a cola pra nova forma

Da cor do barro
Hoje choram as ruas, as montanhas
E ao pó que varrem
Junta-se a hipocrisia
Dos que não cuidaram
De todos que queimaram
E ao pó se varrem os que morreram
A dor e consciência
Quem respira?
                           MySal

Zélia Duncan - Palavra Encantada

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DEDICO ESSA FORÇA PROTETORA AO NOVO CICLO 2011


A FORÇA DA ÁGUA DOCE

A Água quando o Fogo é forte
Evapora o calor
Rola
Como desejo
No rosto suado, chora Roda no rio
Lava
Do caos, aos sentimentos ensina o gozo,
E o gesto vaidoso torna roto
Na entrega ao leito.

A paixão como água revolta
Salta
Em espuma branca, doce e em festa,
Segue
Debruçando-se sobre as pedras,
Natureza menina, sem medo corre
Leve
Intuindo o caminho do amor
E depois, sem pressa,
Passa
Sábia memória das águas
Flui
Água doce, ao longo curso do rio
O destino vai desenhando,
Nas curvas da lembrança

É de Oxum essa força
O amor, prazer e dor
Que chora, envolve,
Limpa
Sentimento de liberdade; água de sempre ir
E do espelho da aparência à essência.
Cresce
Imponente ao deslizar
Na glória da cachoeira,
Água forte rolando corajosa, na pedreira.
Segue
Regando as sementes
Da montanha até o encontro do mar
MySal

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"HUMANITAS"

Flagrante...
Por todo esse flagelo,
Descompromisso social, político
Natural
Falta-nos um som, o da harmonia
Da saúde, da civilidade
Uma nova estética da ética

Ouço - Dido e Enéas- e sinto;
Essa área, essa ópera
Chorando por nós.

MySal

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

EM TEMPO DE FOGO NO MATO



Na tenda onde eu morava:

Uma cerca verde, de flores vermelhinhas espinhentas me separava,

Do grande mato que via

Ali até o mato grande tão amado me protegia

Ria quando ele dançava leve no vento com um movimento

Delicado aerodinâmico, estético, empinado,

Em sutileza de linhas contemporâneas,

O arrojado mato tornou-se também minha planta querida.

Quando chegou o inverno

O que era mato verde virou mato roxo.

Fiquei ainda mais apaixonada!

Brotavam dele sementinhas brancas,

E de manhã bem cedo tudo ainda enevoado

Ele ali vaidoso encantado recebia contente

A visita animada de centenas de passarinhos

Meu Deus como agradecia aquele mato onde eu me escondia.




Ontem, depois de sentir Obá, Oxum e Oiá.

Mulheres de Xangô que em poesia me diziam do amor que sentiam

Só pela justiça lutavam.

Saí procurando um livro e sabem as deusas que o acaso mandou

Eu conhecer nesse dia, a Senhora do Maracatu.

Em plena Graça da livraria, só falamos de poesia.

Voltei feliz para tenda onde o tema esperado era o Xangô amado. Que susto!

O cheiro de queimado e, tudo estava coberto de fuligem.

Como já era noite nada podia ver, mas temia...

Virei à madrugada escrevendo pedindo a Xangô um pouquinho do seu calor,

Afinal esperava sua luz de raios apontando e trovões que anunciassem

Um pouco de justiça pro trabalho

De ver logo plantado um jardim de amor temperado.




Acordei cedo; dormindo, não perco tempo,

Abri a cortina pra compartilhar com o mato

O Bom Dia animado, cantado pela ninhada dos passarinhos.

Como sempre, o sol entraria.

Colocava a cabeça onde antes estava o pé,

Depois devagar tirava as cobertas, depois a roupa,

Ficando, assim, livre, despida, entregue ao sol envolvida

Sentindo nua a liberdade pelo mato acolhida.

Que susto, que tormenta mal podia entender o que Xangô queria!

Queimaram grande parte do mato querido

E eu que era só na tenda, chorava tanto ali me sentindo abandonada!

Que justiça é essa, Xangô? Uma enorme casa onde via homens no telhado,

Malditas marteladas batiam construindo a grande morada

De quem despejou o mato sem saber a dor que ele e eu sentíamos

Vendo o sinal revelado que já era acabado:

O tempo da tenda onde escrevia com silêncio e fogo, justo o amor tão sonhado.




MySal